por Hector Othon
Existe uma corrente espiritual-filosófica moderna que adotou Éris como figura central: o chamado Discordianism — ou Discordianismo.
Ela surgiu no fim dos anos 1950 e foi estruturada principalmente através do livro Principia Discordia, escrito por Gregory Hill e Kerry Thornley sob os pseudônimos “Malaclypse the Younger” e “Omar Khayyam Ravenhurst”.
Embora muitas vezes seja vista como uma “paródia religiosa”, o coração simbólico do Discordianismo é profundamente filosófico e iniciático. Éris deixa de ser apenas a deusa da discórdia destrutiva e passa a representar a força viva do caos criativo — aquilo que rompe falsas harmonias, desmonta máscaras sociais e devolve o indivíduo à experiência direta da realidade.
— ruptura de sistemas rígidos
— revelação da hipocrisia coletiva
— questionamento de dogmas
— libertação da autenticidade
— impulso evolutivo que nasce da fricção
Isso dialoga fortemente com o simbolismo astrológico de um encontro Marte–Éris.
Marte aproxima-se como fogo da ação, do instinto e da coragem.
Éris surge como aquela que expõe o que estava sendo evitado.
Não apenas a rebeldia infantil de “discordar por discordar”, mas a necessidade visceral de não continuar vivendo em falsidade.
No mito grego, Éris lança a maçã dourada “para a mais bela”, desencadeando o conflito que levaria à Guerra de Troia. Mas simbolicamente ela faz algo mais profundo: ela revela rivalidades escondidas, desejos reprimidos e tensões já existentes sob a aparência da ordem.
O Discordianismo reinterpretou isso de forma quase mística:
o caos não cria necessariamente a mentira — ele revela a mentira já presente.
Há inclusive uma ideia central no Discordianismo chamada “Princípio Anerístico e Erístico”:
ordem e desordem seriam construções mentais humanas; ambas coexistem no tecido do real.
Muitos discordianos (adoradores da Deusa Discordia) enxergam Éris como:
- guia da autenticidade;
- destruidora de ilusões sociais;
- musa do paradoxo;
- iniciadora através do desconforto;
- força que devolve movimento ao que se cristalizou.
Curiosamente, em algumas leituras modernas da tradição discordiana, Éris aparece até como uma espécie de “mestra espiritual do caos consciente”, próxima de arquétipos como Kali, Lilith ou Exu — entidades que desorganizam para revelar verdade mais profunda.
Astrologicamente, Marte conjunto a Éris costuma intensificar:
- coragem de confrontar incoerências;
- irritação com manipulação;
- necessidade de afirmar individualidade;
- impulsos de ruptura;
- revelação de conflitos reprimidos;
- reações explosivas diante de injustiças ou silenciamentos.
Mas no nível mais elevado, este trânsito pede:
“Não lutes apenas contra o mundo.
Luta contra aquilo em ti que ainda aceita viver sem verdade.”
É um fogo que pode virar guerra…
ou libertação.
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O mundo sai do stand by na próxima segunda-feira
por Hector Othon
Muitos me perguntam o que está acontecendo, por que tudo parece ter parado, especialmente em relação aos processos que mobilizam o Brasil, Venezuela, Colômbia, Cuba, Ucrânia, Rússia, China, Oriente Médio e grande parte do mundo.
A sensação coletiva é clara: como se houvesse uma pausa estranha, um tempo suspenso, uma pressão acumulando-se por trás do cenário dos acontecimentos.
Astrologicamente, isso faz sentido.
Marte — planeta da ação, do movimento, da confrontação e das decisões — vinha sendo contido e reprimido por seu contato com Saturno e Netuno. Saturno freou o impulso. Netuno dissolveu a direção. O resultado foi uma atmosfera de desgaste, incerteza, cansaço coletivo, estratégias ocultas e movimentos que pareciam perder força antes de se concretizarem.
Mas agora o cenário muda.
Marte começa a despertar novamente ao aproximar-se de Éris, a deusa associada ao caos revelador, à discórdia que expõe o que estava oculto e à ruptura de falsas harmonias. Este encontro ativa processos de confrontação que já não poderão continuar sendo evitados.
Não se trata apenas de conflitos externos.
Trata-se de verdades reprimidas emergindo com força.
A conjunção Marte–Éris intensificará durante os próximos dias o clima coletivo e pessoal de tensão, irritação e discórdia. Velhas fraturas políticas, sociais e emocionais começarão a mostrar-se de forma mais evidente. O que vinha sendo contido começa a pressionar desde dentro.
E tudo isso alcança um ponto crítico a partir do dia 18 de maio, quando Marte ingressar em Touro e começar a formar quadratura com Plutão — um dos aspectos mais intensos e explosivos do atual período astrológico.
Ali, a tensão acumulada pode transformar-se em explosão:
— choques de poder;
— reações extremas;
— confrontos inevitáveis;
— rupturas profundas;
— movimentos sociais e geopolíticos mais agressivos;
— revelações que alteram estruturas estabelecidas.
O que vinha sendo incômodo, irritação ou pressão interna pode emergir com força vulcânica.
Plutão, além disso, encontra-se retrógrado e extremamente ativo nos primeiros graus de Aquário, intensificando disputas ideológicas, tecnológicas e coletivas.
Em nível individual e coletivo, este trânsito exige consciência, pois desperta tanto impulsos destrutivos quanto uma enorme potência de transformação.
É um período em que muitos sentirão necessidade de reagir, romper, enfrentar ou defender aquilo que consideram essencial. Mas também é um tempo perigoso para agir a partir do ódio, da paranoia ou da impulsividade cega.
O fogo que desperta também pode incendiar.
O mundo parece sair do stand by…
mas o faz entrando numa zona de máxima pressão histórica e emocional.
Não será um tempo de neutralidade.
Será um tempo de revelação.

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